Ayurveda – Nutrição e o Estado da Mente

 

 

O Ayurveda explica que existem 3 gunas, ou qualidades, na nossa mente: Sattva, Rajas e Tamas.

A mente sattva é uma mente em equilíbrio, pura, em contacto com o espírito. É uma mente que se suporta no autoconhecimento, que se mantém estável independentemente das condicionantes que a rodeiam. O puro sattva (shuddha sattva) é a mais elevada manifestação deste guna.

A mente rajas move-se com base nos desejos, apegos, paixões e egoísmo. É uma mente instável que oscila entre o que é positivo e negativo.

A mente tamas é inerte, governada pela inércia, estagnação, embotamento, escuridão e ignorância. Tamas é a causa de todas as misérias humanas. Tudo o que contribui para uma pessoa se sentir enfraquecida e doente é tamas.

Estes mesmos gunas sattva, rajas e tamas são utilizados para atribuir qualidades aos alimentos.

 

Alimentação Sattva

Uma alimentação sattva é aquela que purifica o corpo e acalma a mente. Os alimentos satívicos são os mais abundantes na natureza, frescos, naturais e orgânicos que promovem um efeito revitalizante: frutas, verduras, leguminosas (vagens, favas, feijão, lentilha, ervilha, soja, grão-de-bico), brotos de feijões, cereais (arroz, milho, centeio, trigo, aveia), grãos integrais, todos os vegetais que crescem acima do solo, nozes, amêndoas, caju, sementes (de sésamo, girassol, gergelim e linhaça), leite e derivados, pólen, mel, óleos vegetais, leite de vaca e materno, queijo fresco, soro do leite, manteiga, ghee (manteiga purificada), leite de soja fresco e uso moderado de ervas e temperos, comida cozinhada, consumida até 3 a 4 horas após confeção.

Cerca de 65% ou mais dos alimentos de uma refeição devem ser de natureza sátivica. Quando sattva se encontra predominante na natureza humana, experimenta-se equilíbrio e há uma maior probabilidade de se alcançar o samadhi (a meta final do Yoga: a iluminação da consciência). A dieta sattva é promotora de saúde, boa memória, atenção, moderação, concentração, sentido de justiça, devoção, honestidade, serenidade, harmonia, generosidade, pureza, luz, discernimento, razão, entendimento, inteligência, sabedoria, pensamentos sublimes, intuição, clarividência, eloquência e compaixão.

 

 

Alimentação Rajas


Os alimentos rajas estimulam a ação do corpo e a ligação ao Ego. Este tipo de alimentação promove a hiperatividade, irritabilidade, insónias, raiva, distração, agitação, instabilidade emocional, stresse, ganância, ambição, apego à ação, sede de poder, de riqueza, de prestígio, de posição social, de fama e desejo por prazeres sensoriais e move-se por paixões. Encontra-se relacionada com os sabores (rasas) salgado (lavana) e picante (katu). Estimulam os sentidos e o elemento fogo (tejas) que produz movimento e calor.

Todos os alimentos estimulantes, quentes e picantes são rajásicos por natureza: frutos em calda, abacate, tubérculos, tâmaras secas, limão, manga verde, sumos de furtas engarrafados, levedura de cerveja, beringela, ervilha seca, rabanete, ruibarbo, tomate, alimentos fermentados, flores comestíveis de sabor picante, frutose, gelado (torna-se tamásico em grandes quantidades), azeitonas, amendoim, bebidas à base de cafeína (café, chá), bebidas alcoólicas, chocolate, condimentos (cebola crua, cebolinho, alho, pimenta, pimento, gengibre, sal, vinagre), pistacho salgado, semente de abóbora, iogurte e kefir não frescos, ricota, queijos, açúcar, melaço, ovos, tabaco, medicação (tornam-se tásicos em excesso). Alguns destes alimentos só devem ser consumidos por prescrição médica, outros devem ser consumidos de forma moderada e outros devem ser abolidos  da alimentação.

Cerca de 25% dos alimentos de uma refeição devem ser de natureza rajásica.

 

 

Alimentação Tamas


A alimentação tamásica baseia-se em alimentos pesados e não saudáveis como dieta não vegetariana, comida enlatada, consumo excessivo de gordura, óleo e açúcar, fast food, proteína vegetal texturizada (carne de soja), animais, comida frita, gorduras, alimentos congelados, curados, fermentados, comida aquecida, leite (homogeneizado, pasteurizado e em pó), gelados (em grandes quantidades), margarina, fungos e cogumelos de todos os tipos, banana (em grandes quantidades e à noite), álcool, cebola, alho e pickles, queijos maturados por fungos (do tipo roque fort e camembert), enchidos (salsicha, linguiça, alheira e mortadela), enlatados, tabaco medicação e drogas (podem ser rajásicas se aplicadas para curar patologias).
 

Estes alimentos existem em menor quantidade na natureza, sendo na sua maioria fabricados industrialmente. Alguns alimentos tamásicos devem ser consumidos com muita moderação, ou em situações específicas como em caso de patologia ou absolutamente abolidos, pois esgotam a energia, causam estagnação, embotamento físico e mental, inércia, predispõem a diversas doenças, falta de conhecimento, ignorância, estagnação, letargia, apego, indolência, desleixo, preguiça, incapacidade de discernir e de julgar corretamente, insensatez, incapacidade para trabalhar e de mudar o comportamento.

 

Os alimentos tamásicos não devem ultrapassar os 10% dos alimentos de uma refeição e estão relacionam-se a sentimentos destrutivos e coléricos. Encontram-se relacionados aos sabores amargo (tikta) e adstringente (kashaya). Estes estimulam os elementos água (jala) e terra (prithivi), predispondo à formação de mucosidade, gordura e aumento de peso corporal. Tamas induz a atitudes materialistas em relação à vida.

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